quarta-feira, 7 de abril de 2010

Cores do Passado

"As cores pálidas do teu retrato
assombram-me ao cair da madrugada.
Lembram-me sempre do momento exato
em que tirei aquela foto desfocada.

Dizer-me-ia que é apenas passado.
Mas quem somos nós, senão a soma
do que já vivemos nesse mundo isolado?
Minha vida é circo e tu eras a lona!

Hoje em ti sou turvas memórias;
sou arlequim perdido, sem função;
sou parte da pior das escórias!

Por dentro de mim és degradação;
e se parte de ti a minha história,
vagarei desgraçado pela imensidão!"

segunda-feira, 8 de março de 2010

Querem proibir "palavrões" no estádio...

Creio que antes de discutir o assunto em si devemos colocar em pauta o próprio sentido de proibir : Quem proibe o faz porque considera o alvo da proibição algo errado e/ou nocivo à sociedade. Então, como proibir algo considerado errado apenas em um ambiente? Ora, não se pode falar palavrão no estádio de futebol mas, assim que colocarmos o pé na rua poderemos xingar o juiz e os pernas-de-pau e o time adversário com todo aquele estoque de palavras xulas que conhecemos? Que sentido há em proibir algo num lugar? Xingar no estádio não pode, mas na rua, na escola e na porta da igreja; no trânsito, no trabalho e na praia pode? É algo no mínimo dos mínimos incoerente.Mais além, minha visão de educador me diz que toda proibição mina qualquer possibilidade de autonomia, ainda que mínima, em prol da heteronomia, pois a proibição sempre vem acompanhada de punição, que torna o sujeito heterônomo quando não age por medo das consequências ao invés de não agir por saber que é errado. Enfim, proibir é agir contra a autonomia. Sobre o ponto principal, que motivos têm-se para proibir palavrões no estádio? Xingarmos uns aos outros leva à violência? Ou a ignorância é o fruto de todas as pancadarias oriundas dos campos de futebol e de todos os outros lugares? Por que não proibir a ignorância?Alguém me dirá : mas e as crianças que lá estão? E eu responderei : Ora, criança nenhuma tem grande assiduidade futebolística para que isso influa diretamente sobre elas. Ela têm sim assiduidade nas escolas, onde têm o primeiro contato com esse tipo de expressão através de outros alunos, quando não é na própria casa, através dos próprios pais. Por que não proibir o palavrão nas casas de família e nas escolas?E os idosos? Perguntar-me-ia outrem. Reponder-lhe-ia então que idoso nenhum vai ao estádio sem já saber o que o espera. Se já ia ao estádio na juventude, provavelmente estava lá xingando o juiz e o centro-avante ao perder o gol. Se passou a ir na terceira idade, o que é difícil, sabe o que vai encontrar e, além do mais, já estão acostumados a coisas piores como aposentadoria, INSS e saúde pública; transporte público, discriminação e descaso. Por que não proibir tudo isso? Resumindo : fico na dúvida se tal medida é fruto do desejo de aparecer ou da incompetência mesmo. De qualquer forma, um recado : se é pra fazer mal-feito, não faça! O povo já está acostumado a se virar sozinho sem o governo há muito tempo...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sinta o nível subindo

Eu quero morrer! Por aqueles que nem sabem da minha existência; por aqueles que sofrem sem entender a razão; por aqueles que choram sem ver o amanhã;

Eu quero chorar! Por aqueles que já não têm mais lágrimas pra derramar; pelos cubanos; pelos soviéticos que já partiram;

Eu quero gritar! Por aqueles que já estão roucos e sem forças; para aqueles que estão roucos de risos e prazeres;

Eu quero amar! Porque ninguém é Deus, e Deus é ninguém!;

Eu quero sorrir! De ironia, para aqueles que sucumbirão frente à verdade; De alegria, para aqueles que finalmente verão a luz do sol;

Eu quero viver! A vida prometida pelos nossos sonhos; a derrota daqueles que se opõem à verdade;

Eu quero morrer rindo! Para os que me sucederão; dos que não acreditaram!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Espelho

Andei pensando...

O bem e o mal, o certo e o errado, o decente e o indecente, o moral e o imoral; todos esses conceitos nada mais são do que "anti-corpos" artificiais criados por nós : reflexos da reações sentimentais/emocionais que determinadas ações nos causam.

Explico : o certo é certo porque nos faz bem; o errado é errado porque nos faz mal. Não são o que são por serem conceitos universais plenos em sua essência, mas sim por serem dependendes das reações humanas.

Se o ato de cortar um braço fosse extremamente prazeroso, esse ato seria considerado normal - e mais, talvez, devendo-se à proporção do prazer causado, um ato de homenagem a alguém; e, por outro lado, se abraçar fosse doloroso ou mesmo considerado uma enorme ofensa, certamente seria algo errado.

Esse pensamento talvez exima todo o "mal" dos considerados maus, pois, se para eles nada de ruim é causado pela dor, não entendem como errado atos brutais que vemos por aí.

Da mesma forma, os "bons" não devem ser vistos como virtuosos, pois seguem apenas sua ética própria : ver um animal ou alguém sofrendo lhes incomoda, e é por isso que prestam-se ao socorro, à luta pelo "bem estar" de todos. Ora, se toda a pobreza não incomodasse os socialistas, eles seriam capitalistas. Se a dor dos animais não incomodasse os vegetarianos, eles seriam onívoros. Ora, é tudo baseado no sentimento pessoal.

Definimos os conceitos do mundo baseados em nós mesmos. O ego humano é o centro da Terra.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Circuito Brasileiro

Estágio um : Origem.
Ignorância, despreocupação, erro. Eleição, presidência. Incompetência, descaso. Desigualdade, miséria, abandono, carência.
Estágio dois : Solidão.
Carência, desamparo, ignorância. Ausência, tristeza, dor, vazio.
Estágio três : Fome.
Vazio, necessidade, angústia, dor, desespero.
Estágio quatro : Violência.
Desespero, fome, solidão, revolta, revólver, assalto, tiros, morte. Pôr-do-sol, nascer-do-sol. Desespero, fome, solidão, revolta, revólver, assalto, tiros, morte. Dias, meses. Desespero, fome, solidão, revolta, revólver, assalto, tiros, morte.
Estágio cinco : Ciclo.
Mortes, violência, fome. Reeleição. Ignorância, descaso. Erro, arrependimento. Incompetência, desigualdade, miséria. Solidão, fome, violência, críticas, violência, fome, campanhas, violência, fome, solidão. Descaso, fome. Mortes. Descaso.


Circuito Brasileiro II

- Em quem você vai votar? - Também não sei, acho que no João, ele é mais bonitinho. - O João ganhou. - O João disse que a situação está sob controle e que vai erradicar a fome até 2010.
- Aí, tio, tem um trocado? - E aí, tia, vai uma balinha? - Mãe, tô com fome. - Mãe, minha barriga ta doendo.... - Mãe.....mãe?
- Aí, dotô, tem um trocado? - Então me dá aí a carteira! - Aí, num foge não! (tiros) (correria)
- Ô mocinha, passa a grana aê! - Aí, me vê uma cachaça aí. - Desce mais uma!
- O Jornal disse que hoje doze pessoas morreram em assaltos e três foram sequestradas.
- Hmm....e o que tem pro jantar?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Óbvio Ópio

''Se o óbvio ópio oblitera-nos a cada dia mais
Isso não é viver em paz?
Ou será
Que a bem da verdade
O máximo que desejará
É ver o tempo fugir
Levando glórias e vitórias
Que nos remeteriam
Ao verdadeiro sentido
Mas que nunca voltarão.
Será que tudo isso é em vão?

A tristeza cresce no vazio
Ecoando nos cantos
Escuros e frios
Tenho medo de morrer sozinho...

Se olhares nos transpassam a cada dia mais
Não vão mudar jamais?
Ou talvez
Sejam todos olhos cegos
Ou bonecos
Ou o errado sou eu?
Será que você me esqueceu...?"

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Eterna companheira

"Cada dia após tua partida
foi tortura, mas leve e sutil:
tornei-me alvo de vãs investidas
as quais recusei com pudor viril!

Hipócrita seria se não as negasse,
esquecendo juras eternas que proclamei
e perdendo-me em insubstituível impasse
cedendo às vontades que tanto abominei.

Então, Destino, dê-me tua mão!
Áspera, dura, leve, macia, fria!
Chamá-la-ei pelo teu nome, ó Solidão!

Serás companheira, serás alegria!
Pois depois dela, única paixão,
nenhuma outra mão eu desejaria!"