segunda-feira, 8 de março de 2010

Querem proibir "palavrões" no estádio...

Creio que antes de discutir o assunto em si devemos colocar em pauta o próprio sentido de proibir : Quem proibe o faz porque considera o alvo da proibição algo errado e/ou nocivo à sociedade. Então, como proibir algo considerado errado apenas em um ambiente? Ora, não se pode falar palavrão no estádio de futebol mas, assim que colocarmos o pé na rua poderemos xingar o juiz e os pernas-de-pau e o time adversário com todo aquele estoque de palavras xulas que conhecemos? Que sentido há em proibir algo num lugar? Xingar no estádio não pode, mas na rua, na escola e na porta da igreja; no trânsito, no trabalho e na praia pode? É algo no mínimo dos mínimos incoerente.Mais além, minha visão de educador me diz que toda proibição mina qualquer possibilidade de autonomia, ainda que mínima, em prol da heteronomia, pois a proibição sempre vem acompanhada de punição, que torna o sujeito heterônomo quando não age por medo das consequências ao invés de não agir por saber que é errado. Enfim, proibir é agir contra a autonomia. Sobre o ponto principal, que motivos têm-se para proibir palavrões no estádio? Xingarmos uns aos outros leva à violência? Ou a ignorância é o fruto de todas as pancadarias oriundas dos campos de futebol e de todos os outros lugares? Por que não proibir a ignorância?Alguém me dirá : mas e as crianças que lá estão? E eu responderei : Ora, criança nenhuma tem grande assiduidade futebolística para que isso influa diretamente sobre elas. Ela têm sim assiduidade nas escolas, onde têm o primeiro contato com esse tipo de expressão através de outros alunos, quando não é na própria casa, através dos próprios pais. Por que não proibir o palavrão nas casas de família e nas escolas?E os idosos? Perguntar-me-ia outrem. Reponder-lhe-ia então que idoso nenhum vai ao estádio sem já saber o que o espera. Se já ia ao estádio na juventude, provavelmente estava lá xingando o juiz e o centro-avante ao perder o gol. Se passou a ir na terceira idade, o que é difícil, sabe o que vai encontrar e, além do mais, já estão acostumados a coisas piores como aposentadoria, INSS e saúde pública; transporte público, discriminação e descaso. Por que não proibir tudo isso? Resumindo : fico na dúvida se tal medida é fruto do desejo de aparecer ou da incompetência mesmo. De qualquer forma, um recado : se é pra fazer mal-feito, não faça! O povo já está acostumado a se virar sozinho sem o governo há muito tempo...

2 comentários:

  1. Trabalhar com silogismos exige certa profundidade e seu texto, amigo, infelizmente não dispõe dessa característica, sendo, ao contrário, deveras superficial para quem se considera um educador, ou ao menos, alguém que observa os fatos sobre tal perspectiva.
    A proibição, de fato, é um precedente que nunca falha onde quer se queira instaurar a moral e a disciplina modernas, ambas totalmente contrárias à idéia do que seria uma verdadeira educação, porém, o fato de um mal hábito não ser proibido em outras esferas do convívio social, quando tentam fazer com que o seja em um ambiente específico, ainda que invocando a pretensa moral do senso-comum, não descaracteriza o fato de que o mau hábito seja desagradável e que deveria de fato, deixar de existir nesse ou qualquer outro contexto. Sabemos que nunca acontecerá pelo simples fato de que (neste caso) está inserido em um problema maior, que é o ambiente em si, bem como a cultura que o sustenta, o futebol, que não pode ser dissociado da falta de bom senso necessário para o convívio agradável e pacífico, como as torcidas (organizadas ou não) sempre demonstram, em um ambiente onde pessoas unidas pelo gosto à prática desse esporte, e consequentemente, pela equivalência intelectual de indivíduos que gostam de disperdiçar tardes de domingo berrando insultos em coro, se reunem neste espetáculo alienante que é o futebol.
    É o velho "panem et circenses", meu amigo... Que já distraia a atenção do "povão" da política desde a antiga roma, onde pintavam e bordavam os governantes, exatamente como hoje, graças a essa cultura apolítica que você demonstra no final do seu texto, que por sinal, também não é uma postura nada educadora.

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  2. Agora veja bem, olha a lei que esses malucos estão inventando...
    Eles deveriam é se envergonhar, num país onde a educação pública é um lixo.
    É um pena saber que leis, como aquela que obriga os filhos de deputados a estudarem em escolas públicas, nunca sejam aprovadas por motivos óbvios.
    Aí aprovam essa essa historinha do palavrão que a verdadeira impraticidade em forma de lei.
    Agora a pergunta que não quer calar, se eu falar 'porra' bem baixinho no Maracanã o que me acontece? Eles estão criando sensores que detectam um palavrão? Realmente, muito moderno isso. Nós brasileiros somos muito chiques, estou orgulhosa dos políticos que elejo!

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