Creio que antes de discutir o assunto em si devemos colocar em pauta o próprio sentido de proibir : Quem proibe o faz porque considera o alvo da proibição algo errado e/ou nocivo à sociedade. Então, como proibir algo considerado errado apenas em um ambiente? Ora, não se pode falar palavrão no estádio de futebol mas, assim que colocarmos o pé na rua poderemos xingar o juiz e os pernas-de-pau e o time adversário com todo aquele estoque de palavras xulas que conhecemos? Que sentido há em proibir algo num lugar? Xingar no estádio não pode, mas na rua, na escola e na porta da igreja; no trânsito, no trabalho e na praia pode? É algo no mínimo dos mínimos incoerente.Mais além, minha visão de educador me diz que toda proibição mina qualquer possibilidade de autonomia, ainda que mínima, em prol da heteronomia, pois a proibição sempre vem acompanhada de punição, que torna o sujeito heterônomo quando não age por medo das consequências ao invés de não agir por saber que é errado. Enfim, proibir é agir contra a autonomia. Sobre o ponto principal, que motivos têm-se para proibir palavrões no estádio? Xingarmos uns aos outros leva à violência? Ou a ignorância é o fruto de todas as pancadarias oriundas dos campos de futebol e de todos os outros lugares? Por que não proibir a ignorância?Alguém me dirá : mas e as crianças que lá estão? E eu responderei : Ora, criança nenhuma tem grande assiduidade futebolística para que isso influa diretamente sobre elas. Ela têm sim assiduidade nas escolas, onde têm o primeiro contato com esse tipo de expressão através de outros alunos, quando não é na própria casa, através dos próprios pais. Por que não proibir o palavrão nas casas de família e nas escolas?E os idosos? Perguntar-me-ia outrem. Reponder-lhe-ia então que idoso nenhum vai ao estádio sem já saber o que o espera. Se já ia ao estádio na juventude, provavelmente estava lá xingando o juiz e o centro-avante ao perder o gol. Se passou a ir na terceira idade, o que é difícil, sabe o que vai encontrar e, além do mais, já estão acostumados a coisas piores como aposentadoria, INSS e saúde pública; transporte público, discriminação e descaso. Por que não proibir tudo isso? Resumindo : fico na dúvida se tal medida é fruto do desejo de aparecer ou da incompetência mesmo. De qualquer forma, um recado : se é pra fazer mal-feito, não faça! O povo já está acostumado a se virar sozinho sem o governo há muito tempo...
Trabalhar com silogismos exige certa profundidade e seu texto, amigo, infelizmente não dispõe dessa característica, sendo, ao contrário, deveras superficial para quem se considera um educador, ou ao menos, alguém que observa os fatos sobre tal perspectiva.
ResponderExcluirA proibição, de fato, é um precedente que nunca falha onde quer se queira instaurar a moral e a disciplina modernas, ambas totalmente contrárias à idéia do que seria uma verdadeira educação, porém, o fato de um mal hábito não ser proibido em outras esferas do convívio social, quando tentam fazer com que o seja em um ambiente específico, ainda que invocando a pretensa moral do senso-comum, não descaracteriza o fato de que o mau hábito seja desagradável e que deveria de fato, deixar de existir nesse ou qualquer outro contexto. Sabemos que nunca acontecerá pelo simples fato de que (neste caso) está inserido em um problema maior, que é o ambiente em si, bem como a cultura que o sustenta, o futebol, que não pode ser dissociado da falta de bom senso necessário para o convívio agradável e pacífico, como as torcidas (organizadas ou não) sempre demonstram, em um ambiente onde pessoas unidas pelo gosto à prática desse esporte, e consequentemente, pela equivalência intelectual de indivíduos que gostam de disperdiçar tardes de domingo berrando insultos em coro, se reunem neste espetáculo alienante que é o futebol.
É o velho "panem et circenses", meu amigo... Que já distraia a atenção do "povão" da política desde a antiga roma, onde pintavam e bordavam os governantes, exatamente como hoje, graças a essa cultura apolítica que você demonstra no final do seu texto, que por sinal, também não é uma postura nada educadora.
Agora veja bem, olha a lei que esses malucos estão inventando...
ResponderExcluirEles deveriam é se envergonhar, num país onde a educação pública é um lixo.
É um pena saber que leis, como aquela que obriga os filhos de deputados a estudarem em escolas públicas, nunca sejam aprovadas por motivos óbvios.
Aí aprovam essa essa historinha do palavrão que a verdadeira impraticidade em forma de lei.
Agora a pergunta que não quer calar, se eu falar 'porra' bem baixinho no Maracanã o que me acontece? Eles estão criando sensores que detectam um palavrão? Realmente, muito moderno isso. Nós brasileiros somos muito chiques, estou orgulhosa dos políticos que elejo!